Inteligência Coletiva

e

Integração de Tecnologias de Informação e de Comunicação

no Setor Saúde no Brasil

 

Ricardo Rodrigues Teixeira

 

Limoges, 12 de junho de 2006

 

 

 

Plano de Exposição

 

1) Uma definição de Inteligência Coletiva (IC)

 

2) A questão genérica

 

3) O campo e as questões específicas

 

4) Os desafios principais

 

5) O caminho

 

6) O papel das TICs

 

7) Soluções

 

 

 

1)  Uma definição de Inteligência Coletiva (IC)

A inteligência é uma potência.

Segundo Pierre Lévy, uma “potência de auto-criação”.

Dito de outra forma, potência de auto-produção e evolução, ou ainda, potência de aprendizado autônomo.

Da inteligência se diz também que ela é uma emergência, que se trata de um fenômeno que emerge de processos de interação circular e de auto-produção de um grande número de sistemas complexos.

A Inteligência é, portanto, sempre o fato de um coletivo numeroso e dependente da intensidade e da forma de suas relações internas.

Embora toda inteligência seja propriamente, desde o princípio, coletiva, nomeia-se Inteligência Coletiva (IC) aquela que pode emergir de processos de interação circular e de auto-produção próprios aos coletivos humanos.

De fato, a IC depende fundamentalmente da capacidade dos indivíduos e dos grupos humanos de se porem em relação, suas capacidades de interação e, desta forma, de intensificar a troca, a produção e a utilização de conhecimentos.

Aumentar a Inteligência Coletiva equivale a aumentar a potência dos coletivos humanos, ou ainda, a aumentar justamente sua potência de ação coletiva.

 

 

2)  A questão genérica

Dito isso, nossa questão genérica, isto é, a questão de fundo de nossa investigação/intervenção, nossa hipótese, nossa postulação de base, nossa aposta, é que o desempenho dos serviços de saúde pode aumentar ou diminuir (interferir) na IC das populações assistidas. A questão que se coloca, justamente, é: Como o desempenho dos serviços de saúde pode aumentar a IC das populações assistidas?

 

 

3)  O campo e as questões específicas

Tomamos como base para nosso estudo a rede de serviços de cuidados primários de saúde, mais especificamente uma “unidade básica” desta rede: um centro de saúde. Como sabemos, estas “unidades” possuem uma base territorial e são inteiramente responsáveis pela saúde das populações que nela residem.

Nossas questões mais específicas decorrem, como não poderia deixar de ser, dos principais desafios práticos que são cotidianamente enfrentados neste nível de atenção à saúde, sejam aqueles que dizem respeito à eficácia destes serviços, sejam aqueles que dizem respeito à chamada humanização dos cuidados. As respostas que serão buscadas devem ser úteis para os agentes situados neste nível de atenção.

E estas respostas, em nosso caso, serão aquelas que passam pela formação intensiva de redes: redes que intensificam os processos de trocas, de produção e utilização de conhecimentos: redes de conversações.

Nosso desafio, em última instância, será o de identificar/acionar/produzir as redes de conversações mais privilegiadas.

Partimos do princípio de que muitos dos desafios práticos cotidianos destes serviços encontram uma resposta adequada nos dispositivos que aumentam a IC, tanto do serviço, quanto dos grupos assistidos. E, neste terreno específico, aumentar a IC significa, sobretudo, otimizar a intensidade e a qualidade das redes de conversações, isto é, otimizar a “quantidade” e a “qualidade” dos encontros que se dão nestas redes.

Isso pode ser feito por meio de uma multiplicidade de dispositivos que servem para pôr em relação e qualificar a relação.

Nesse momento, examinar-se-á mais particularmente aqueles dispositivos que se utilizam de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).

 

 

4)  Os desafios principais

Produzir respostas eficazes e humanizadas à multiplicidade de demandas médicas e sociais que sobrecarregam estes serviços, muita além de suas capacidades e de seus papéis e competências.

Estas respostas são de tal ordem a:

- otimizar a utilização da rede de serviços instalados;

- ativar uma rede interesetorial de instituições governamentais e não-governamentais (de fato, mecanismos coletivos de garantias de direitos);

- reconhecer e mobilizar todas as competências (individuais e coletivas) disponíveis numa e por uma coletividade, que podem contribuir para a saúde, assim como para a construção da cidadania e para que cada um de seus indivíduos possa amplificar sua capacidade de se pôr em relação, de interagir, de formar comunidades, de estender suas potencialidades e de afirmar sua singularidade existencial.

 

 

5)  O caminho

O caminho é um projeto de pesquisa.

Um projeto que pesquisa, sobretudo, caminhos: meios e novas tecnologias.

Acolhimento e Redes de Conversações: o desempenho dos serviços de saúde na perspectiva da Inteligência Coletiva.

Esse projeto é composto de vários momentos de inovação tecnológica e de um estudo do desempenho do arranjo tecnológico. Como já foi dito, nesta apresentação serão privilegiados os desenvolvimentos que envolvem TICs.

 

 

6)  O papel das TICs

Em nossa abordagem, elas são requisitadas para responder a duas ordens de questões principais: quando se trata de organizar, relacionar e referenciar um número muito grande de informações ou de indivíduos.

 

 

7)  Três casos de utilização de TICs para aumentar a IC no campo da saúde:

 

1)    Cartografia da Rede de Conversação;

2)    Guia da Cidadania para Serviços de Saúde;

3)    “Árvore de Conhecimentos” de auto-cuidado de diabéticos que se utilizam de um serviço de cuidados primários de saúde.

 

No primeiro caso, trata-se de cartografar o espaço coletivo da conversação para melhor conhecer as conexões que se fazem a cada encontro e os fluxos efetivos dos usuários através desta rede, reconhecendo as relações estruturais entre os diferentes espaços/momentos de conversação. Neste caso, portanto, trata-se de utilizar a “informação” para melhor conhecer certos aspectos da “comunicação”.

Nos outros dois casos, trata-se de ir da “informação” à “comunicação”: a pretexto de organizar a informação, engendrar novas possibilidades de “comunicação”.